sexta-feira, 25 de junho de 2010

Matriarca


Ando sem vontade de escrever. Nestas últimas semanas especialmente. Talvez seja por trauma pela tensão pré-qualificação.
Apesar do desânimo, tem coisas que devem que ser escritas, merecem serem escritas.
Essa semana foi difícil. Domingo tive um dia ótimo, segunda minha mãe chegou...até aí tudo bem. Terça fui na médica, 24 exames para serem feitos, ela está me virando do avesso, isso é chato, mas necessário, de tarde tive orientação, muitas informações, fora a tensão de passar o dia pensando: "tenho que estudar, pq amanhã de manhã tenho que apresentar trabalho na disciplina de História e não consegui...continuou tudo bem, pq a noite de terça foi excelente também, jantamos com amigos e conheci pessoas muito legais. Chegou quarta-feira, primeira tarefa do dia: apresentação do trabalho, fomos bem, alívio da tensão; intervalo da disciplina minha mãe me liga chorando: "Filhinha, a vó foi para o hospital de ambulância. A tia disse para nos prepararmos para o pior..." Corri para casa. Cheguei e a notícia me atropelou: a vó foi...
Minha avó tinha 89 anos, nos últimos três anos, a cada ano que passava, repetia frase: "não sei se chegou nos 80, 81, 82...", apesar de já estar com 87, 88, 89. Eita mulher forte! Forte de espírito, casou tinha 19 anos (alguns dizem que foi com 16) com um homem 30 anos mais velho, criou 10 filhos, sem empregada, numa fazenda, sem televisão (babá eletrônica) e com o vô trabalhando no campo o dia todo...ela tentava educar e controlar 10 crianças...criou 3 meninos, mimadamente e 7 Marias, extremamente fortes como ela.
Depois de perder o marido, nunca mais se relacionou com ninguém, voltou sua atenção para os filhos e a criação dos netos. Nesses quase 90 anos ainda perdeu 3 filhas, mas ela continuou vivendo. Perdeu um companheiro de 73 anos, fumou dos 13 aos 86 anos, quando os filhos tiveram que arrancar o cigarro dela, pois era uma escolha, ou ela fumava ou respirava. Foi difícil, mas venceu. Às vezes, chamava de canto um dos netos ou as babás que cuidavam dela e dizia com um troquinho na mão: "toma aqui, busca um pito ali na venda para mim", tínhamos que utilizar toda a lábia que sabíamos para convencê-la que não podíamos. Já não ouvia e enxergava direito, chegávamos perto dela e vinha a pergunta "quem é?". Eu ela sempre reconheceu...
Foi muito difícil pensar que o núcleo, no qual a família toda girava, não estará mais lá... ver cada um dos meu tios extremamente frágeis, sem rumo... ver a minha mãe chorar e senti-la sem chão...
Não sei como será a minha família daqui para frente, era ela que mantinha a família de 10 filhos, 23 netos e 6 bisnetos unida, ela estar conosco já era motivo de festa.
Agora, necessitamos ter a força que ela tinha!
Quinta e sexta foram dias de refazimento energético e saudade!





Voltei para Porto Alegre para seguir minha vida, com uma estranha sensação de estar um pouco mais sozinha... hoje, mais do que nunca, precisei de um colo, um ombro, um carinho, um abraço... não pedi, não me sinto nesse direito, pq acho que as pessoas tem que ter sensibilidade e oferecer... em compensação, uma lição foi reforçada, nem todo mundo é sensível e não podemos esperar isso de alguém... mas uma ponta de decepção ficou!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

VOLTEIIIIIIIII...

Estou chegando para ficar...
Voltei, voltando! Depois de umas semanas de silêncio...Voltei!
Passei por semaninhas complicadas, tensas, nervosas, mas MUITO boas ao mesmo tempo.
Sabe aquela frase, daquela música..."tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar..." É verdade! Passei alguns anos, fazendo alguns pedidos específicos, ano após ano, os desejos foram se reforçando e os pedidos ganhando força e ficando cada vez mais específicos e detalhados. Quando tive certeza deles e como exatamente os queria...eles começaram a acontecer...claro, trabalhei MUITO para eles se concretizarem, fui atrás, busquei, mudei, suei, chorei...para merecer estar sorrindo hoje.
Já agradeci muito ao "Cara lá de cima", só nós dois sabemos a minha trajetória para esse momento da minha vida, pq Ele esteve comigo todos os momentos quando eu dizia: "...me dá toda coragem que puder, que não me falte forças para lutar...". Realmente, as vezes me faltava forças, que no mesmo momento eram repostas.
Sempre tive anjos na minha vida, pessoas que surgiam para me dar essa força, para me orientarem no caminho, e que diziam "...estamos com você, nós somos invencíveis, pode crer, todos somos um e juntos não existe mal nenhum...".
Agradeço à esses anjos, eles muitas vezes foram as mãos que seguravam a minha para me colocar em pé.
Hoje, explodindo de felicidade, venho dividí-la com vocês. Alguns que lêem esse blog sabem do que eu estou falando, outros acham que sabe e outros sabem de uma parte dessa felicidade. Não divulguei para muita gente todos os motivos de estar feliz assim, pq tem coisas que prefiro guardar para mim.
Mas a energia que eu gero ao estar feliz assim, essa faço questão de dividí-la!!!!
Muita luz para todos!

sábado, 29 de maio de 2010

Hoje...

Acabei de enviar meu Projeto de Qualificação para a minha orientador. Que droga essa sensação de querer mexer nele todo novamente, de achar que ele não está bom, mas ao olhá-lo não saber onde mexer.
As pessoas normalmente não aceitam críticas, acham que as críticas às rebaixam, às tornam menos.
Eu anseio por críticas! Muitas vezes me sinto sem norte quando não as tenho, claro, não qualquer crítica, não a crítica de qualquer pessoa...amo críticas cosntrutivas!
Mas quais são as críticas construtivas e as destrutivas? Quem as faz? E como diferenciá-las?
Às vezes é fácil, pois somos criticados por pessoas que tem mais conhecimento, pessoas que nos amam, pessoas que tem a função de nos críticar, essas geralmente só visam o nosso crescimento. Porém, para garantir a seleção adequada das críticas, para sabermos quais realmente são para o nosso crescimento, é necessário o (bendito) autoconhecimento (que já falei tantas vezes).
O autoconhecimento só é adquirido após muito treino. O treinamento de nos olhar. Olhar para dentro, para os pensamentos, para os sentimentos, para as atitudes, para as reações...cansa, eu sei, mas compensa.
Ao nos olhar, sabemos as críticas que realmente falam a verdade. 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Viva o desafio de cada momento!

É entre lágrimas que começa postando no blog neste momento. Nossa...se é difícil falar, imagina escrever...emocionei-me vendo um filme, mas não é por ele as lágrimas, elas vem pelo momento...momento de vida...momento especial...momento que foi construído...momento único, que se arrastará por mais um tempo...não sei quanto tempo...mas sei que vai durar...a única palavra que vem na minha cabeça, agora, é: OBRIGADA!
Obrigada por cada obstáculo, fiquei mais forte por eles, desenvolvi inteligência através deles.
Obrigada por cada pessoa que atravessou meu caminho, me entendi, me conheci, me espelhei, me superei, me apoiei, me refleti, me identifiquei, me defini, me reconstruí, me questionei, me surpreendi, me entreguei, me refiz, me resignifiquei, através de cada uma delas.
Obrigada por cada oportunidade, procurei aproveitar cada uma.
Obrigada por continuar me dando tudo isso.
Obrigada por continuar percorrendo o caminho.
Obrigada por me dar um novo motivo, a cada dia, para percorrer meu caminho.
Obrigada por ser quem eu sou.
Obrigada por me fazer mudar-me sempre.

Enfim...hoje minha vida está repleta de desafios...para cada lado que olho, está um desafio...mas agradeço, porque sonhei com todos eles, desejei cada um deles e continuo desejando novos desafios a cada momento.
É essa a razão da minha emoção...é a alegria de me sentir viva!
Viva o desafio de cada momento! (conselho)
Viva o desafio de cada momento! (celebração)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

My lovely day

Essa semana foi MUITO especial, mais que especialmente, a quarta-feira. Noite perfeita.
Há um mês atrás me inscrevi num concurso do Studio Clio, I concurso literário- o imaginário da cidade, concurso esse que premiava textos em formato de poesia, prosa e artigo acadêmico. Inscrevi um texto acadêmico, incentivada pela minha orientadora de mestrado. Uma semana depois de entregue o texto, chega o convite para o coquetel de divulgação e premiação dos vencedores, no mesmo momento encaminhei o email para a Ester (minha amiga e colega acadêmica, que tb participou do concurso) dizendo: "Vamos?" A resposta: "Vamos!". Dito e feito, nesta última quarta-feira aconteceu a cerimônia de premiação, a qual, nos fazia companhia duas pessoas especiais para nós duas, uma delas a nossa orientadora. Além disso, o mestre de cerimônias era um professor da disciplina a qual estou cursando, um daqueles que a gente olha e diz: "quero ser igual a ele quando eu crescer". Ester e eu, devidamente vestidas (traduzindo: caprichamos mesmo), fomos em busca de capital social no meio de gente culta, entre eles muitos historiadores. Quando no momento da divulgação dos vencedores ouvimos o nome da Ester como premiada com Menção Honrosa. Quase não acreditamos! Eu, já explodindo de orgulho e alegria pela Ester, ouço meu nome e o da minha orientadora no 3º prêmio. Quase desmaiei! Levantei-me e fui em direção ao palco, tremia inteira, do pé ao último cachinho de cabelo, morrendo de medo que o professor que entregava a pasta com as premiações, sentisse a minha tremedeira. Morrendo de medo de cair a cada passo, pagando um micão na frente de todo mundo! Mas nada aconteceu que estragasse essa noite perfeita, que continuou perfeita. Posso dizer que esse dia foi um dia de glória! Quase explodi de tanta alegria!
Lembrei de uma aluna que quando via um homem bonito, olhava para o céu e dizia: "Obrigada, Senhor!"
À cada minuto da noite eu repetia baixinho... MUITO OBRIGADA, SENHOR, por essa noite lindamente especial e especialmente linda!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

My sweet night

À uma semana eu revi o filme My blueberry nights e novamente me deliciei novemente com essa noite de framboesa. Esse filme é muito suave, a maneira de dar o recado é muito entrelinhas e mesmo assim é extremamente profundo. Deixar portas abertas ou fechá-las? Devemos mudar totalmente? Devemos ir ou ficar? São alguns exemplos de recados dados no filme, mas poucos os verão. Será que devemos manter algumas portas abertas ou fechá-las totalmente para depois abrir outras? Existem pessoas que preferem deixar algumas entreabertas, não eu, fecho totalmente uma porta para depois abrir outra. Se não fecho oficialmente, fecho internamente. Para mim não existe "quem sabe um dia", se não foi é porque não é para ser.Vemos melhor quando saímos do nosso contexto? Com certeza! Acredito muito em sair de onde estamos para exergarmos do alto tudo que acontece, muitas vezes quando estamos envolvidos pelos sentimentos e fatos que os proporcionaram, não exergamos a realidade. Quando nos afastamos podemos ver o que foi e nos conhecer melhor e a partir disso saber, mudar ou não mudar? Mudar? O quê? Sempre queremos mudar algo na nossa vida, ainda mais quando ela não está do modo que desejamos, para isso acontecer é necessária uma mudança interna principalmente, ao termos contato com outras pessoas aprendemos o que é bom e o que não é, nos reconhecemos nos outros, é só parar de olhar para o nosso umbigo e passar a olhar para dentro dele, analisando se o que está ao nosso redor não é espelho do está dentro de nós. E, ao mesmo tempo, saber que há coisas que somos, pensamos, agimos, reagimos de modo diferente, e é desse modo que gostamos e nos sentimos bem e, assim, passamos a gostar ainda mais da gente. Daí estamos prontos para voltar para (ou retomar) o que ficou, que ficou para que pudéssemos chegar ao centro de nós mesmos e depois achássemos o caminho de volta, ainda melhores.

A trilha do filme com a Norah Jones já basta, mas ainda tem o Jude Law para acabar de vez!!!
PERFEITO!

sábado, 1 de maio de 2010

Deixa estar, jacaré...

Sou viciada em algumas frases. Algumas eu vibro cada vez que posso usá-las, normalmente elas se modificam, são jargão de um grupo no qual convivo e, às vezes, carrego para outro grupo. Normalmente são frases criadas num fim de semana animado com a galera, numa festa, enfim, em alguma junção, porém essas frases, frequentemente, só duram até a próxima reunião. A que perpetua à anos na minha mente e a melhor de todas é a "deixa estar, jacaré, um dia a lagoa há de secar os peixinhos hão de morrer...". Essa frase é epidêmica, eu começo e outras pessoas, que estão ao meu redor, terminam. Quando eu vejo, já estou ouvindo em outras vozes e a contaminação continuando. Hoje resolvi buscar a origem na internet, não achei muita coisa, mas o Sr. Google me ajudou.
"Em uma lagoa que habitavam, umas rãs eram consumidas por um jacaré e corria o risco de extermínio da espécie. Um dia as rãs, preocupadas com a voracidade do jacaré, pediram aos deuses que as livrassem do monstro, visto que as rãs permaneciam assustadas e não tinham condições de sobrevivência. Os deuses, querendo acalmar as rãs responderam: deixa estar jacaré , a lagoa há de secar. Imediatamente, mandou uma grande seca, deixando a lagoa secar totalmente, causando a morte do jacaré por inanição. As rãs por serem anfíbios e pequenos animais se localizaram nas brechas das rachaduras da lagoa" (fonte: http://instrumentalbrasil.com/chapadadoararipe/2009/05/18/deixa-estar-jacare-que-a-lagoa-ha-de-secar-por-pedro-esmeraldo/)
Sempre uso essa frase quando me estresso com alguém ou alguém estressa quem eu gosto, daí lá vem: DEIXA ESTAR, JACARÉ... junto com uma palavra que eu amo: ABSTRAI...
De repente noto que descobri um segredo de bem viver: fixar no que é real, se afastando da representação e deixar para Deus resolver o resto.
Minha gastrite agradece.